O que está em jogo na Rio+20
Informe do Grupo de Articulação Internacionalizado da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental
Pela unidade e a mobilização do povos, em defesa da vida e dos bens comuns, justiça social e ambiental, contra a mercantilização da natureza e a “economia verde”
A um mês da conferência das Nações Unidas Rio+20, os povos do mundo não veem resultados positivos no processo de negociação que está ocorrendo na conferência oficial. Ali não se está discutindo um balanço do cumprimento dos acordos alcançados na Rio 92, ou como mudar as causas da crise. O foco da discussão é um pacote de propostas enganosamente chamado de “economia verde” e a instauração de um novo sistema de governo ambiental internacional que o facilite.
A verdadeira causa estrutural das múltiplas crises é o capitalismo, com suas formas clássicas e renovadas de dominação, que concentra a riqueza e produz desigualdades sociais, desemprego, violência contra o povo e a criminalização de quem os denuncia. O sistema de produção e o consumo atual – representados por grandes corporações, mercados financeiros e os governos que garantem sua manutenção – produzem e aprofundam o aquecimento global e a crise climática, a fome e a desnutrição, a perda de florestas e da diversidade biológica e sócio-cultural, a contaminação química, a escassez de água potável, a desertificação crescente dos solos, a acidificação dos mares, a grilagem de terras e a mercantilização de todos os aspectos da vida nas cidades e no campo .
A “economia verde”, ao contrário do que o seu nome sugere, é outra fase da acumulação capitalista. Nada na “economia verde” questiona ou substitui a economia baseada no extrativismo de combustíveis fósseis, nem os seus padrões de consumo e produção industrial. Essa economia estende a economia exploradora das pessoas e do ambiente para novas áreas, alimentando assim o mito de que é possível o crescimento econômico infinito.
O falido modelo econômico, agora disfarçado de verde, pretende submeter todos os ciclos vitais da natureza às regras do mercado e ao domínio da tecnologia, da privatização e da mercantilização da natureza e suas funções. Assim como dos conhecimentos tradicionais, aumentando os mercados financeiros especulativos através dos mercados de carbono, de serviços ambientais, de compensações por biodiversidade e o mecanismo REDD+ (Redução de emissões por desmatamento evitado e degradação florestal).
Os transgênicos, os agrotóxicos, a tecnologia Terminator, os agrocombustíveis, a nanotecnologia, a biologia sintética, a vida artificial, a geo-engenharia e a energia nuclear, entre outros, são apresentados como “soluções tecnológicas” para os limites naturais do planeta e para as múltiplas crises, sem abordar as causas verdadeiras que as provocam.
Além disso, se promove a expansão do sistema alimentício agroindustrial, um dos maiores fatores causadores das crises climáticas, ambientais, econômicas e sociais, aprofundando a especulação com os alimentos. Com isso se favorece os interesses das corporações do agronegócio em detrimento da produção local, campesina, familiar, dos povos indígenas e das populações tradicionais, afetando a saúde de todos.
Como uma estratégia de negociação na conferência Rio+20, alguns governos de países ricos estão propondo um retrocesso dos princípios da Rio 92, como o princípio de responsabilidades comuns e diferenciadas, o princípio da precaução, o direito à informação e participação. Estão ameaçados direitos já consolidados, como os dos povos indígenas e populações tradicionais, dos camponeses, o direito humano à água, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos imigrantes, o direito à alimentação, à habitação, à cidade, os direitos da juventude e das mulheres, o direito à saúde sexual e reprodutiva, à educação e também os direitos culturais.
Está se tentando instalar os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que serão utilizados para promover a “economia verde”, enfraquecendo ainda mais os já insuficientes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
O processo oficial propõe estabelecer formas de governança ambiental mundial que sirvam como administradores e facilitadores desta “economia verde”, com o protagonismo do Banco Mundial e outras instituições financeiras públicas ou privadas, nacionais e internacionais, que irão incentivar um novo ciclo de endividamento e ajustes estruturais disfarçados de verde. Não pode existir governança global democrática sem terminar com a atual captura corporativa das Nações Unidas.
Repudiamos este processo e conclamamos todos para que venham fortalecer as manifestações e construções de alternativas em todo o mundo.
Lutamos por uma mudança radical no atual modelo de produção e consumo, consolidando o nosso direito para nos desenvolvermos com modelos alternativos com base nas múltiplas realidades e vivências dos povos, genuinamente democráticas, respeitando os direitos humanos e coletivos, em harmonia com a natureza e com a justiça social e ambiental.
Afirmamos a construção coletiva de novos paradigmas baseados na soberania alimentar, na agroecologia e na economia solidária, na defesa da vida e dos bens comuns, na afirmação de todos os direitos ameaçados, o direito à terra e ao território, o direito à cidade, os direitos da natureza e das futuras gerações e a eliminação de toda forma de colonialismo e imperialismo.
Conclamamos todos os povos do mundo a apoiarem a luta do povo brasileiro contra a destruição de um dos mais importantes quadros legais de proteção às florestas (Código Florestal), o que abre caminhos para mais desmatamentos em favor dos interesses do agronegócio e da ampliação da monocultura; e contra a implementação do mega projeto hidráulico de Belo Monte, que afeta a sobrevivência e as formas de vida dos povos da selva e a biodiversidade amazônica.
Reiteramos o convite para participação na Cúpula dos Povos que se realizará de 15 a 23 de junho no Rio de Janeiro. Será um ponto importante na trajetória das lutas globais por justiça social e ambiental que estamos construindo desde a Rio-92, particularmente a partir de Seattle, FSM, Cochabamba, onde se têm catapultado as lutas contra a OMC e a ALCA, pela justiça climática e contra o G-20. Incluímos também as mobilizações de massa como Occupy, indignados, a luta dos estudantes do Chile e de outros países e a primavera árabe.
Convocamos todos para que participem da mobilização global de 5 de junho (Dia Mundial do Ambiente); da mobilização do dia 18 de junho, contra o G20 (que desta vez se concentrará no “crescimento verde”) e na marcha da Cúpula dos Povos, no dia 20 junho, no Rio de Janeiro e no mundo, por justiça social e ambiental, contra a “economia verde”, a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos.
Rio de Janeiro, 12 de maio de 2012
Assinam:
Grupo de Articulação Nacional e Internacional da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental*.
Concorda com os pontos desta carta? Envie um e-mail para gainter@rio2012.org.br e peça a inclusão do nome da sua entidade na assinatura.
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*O Grupo de Articulação (GA) Internacional do Comitê Facilitador para a Sociedade Civil na Rio+20 (CFSC) da Cúpula dos Povos é formado por 35 redes, organizações e movimentos sociais de 13 diferentes países. Seus representantes trabalham junto ao GA Nacional (com 40 redes representadas) na coordenação metodológica e política da Cúpula dos Povos, evento paralelo e crítico à Rio+20, que vai reunir milhares de pessoas no Aterro do Flamengo, de 15 a 23 de junho.











A Conferência das Nações Unidas Rio+20 reunirá o movimento social mundial para a realização de grandes debates, tendo em vista estabelecer uma agenda de lutas por justiça social e ambiental, contra a “economia verde”, a mercantilização da vida e da natureza e a defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos. Será, portanto, um momento impar para catapultarmos importantes projetos em benefício das humanidades. Empreenderei todo o esforço possível para fazer-me presente e penso que esse também deve ser o ideário de todos e todas ativistas e militantes das causas sociais. Viva a Vida!!!
De minha parte, estou enviando esta crata para todos os meus contatos, do Brasil, dos EUA, Europa e pelo mundo afora
Eu ja vou organizar aqui na Belgica um debate no dia 05!
EStarei na Radio Cupula ajudando a galera e estarei me educando mais e mais para me tornar cada vez mais ativista em defesa da minha comunidade local e global.
ESta frase: Não pode existir governança global democrática sem terminar com a atual captura corporativa das Nações Unidas. E eles ainda querem fazer mais uma agencia de ONU pra essa economia verde
O coletivo de permacultura urbana Ver(a)cidade concorda e assina as linhas desta consciente carta!
Quem vier, venha a pé ou de bicicleta. Carro, Avião, nem pensar.
Alimentos? quase nada do que se vendem em mercados.
Tablets, Notebooks, ifones, etc… nada desses apetrechos tecnológicos proprios do capitalismo.
Olha…. vivemos em um grande dilema em negar a forma usual da economia e precisarmos desta mesma economia que agoniza mas que nos serve tão intensamente.abs e até lá. os debates prometem….
Estimados Coordinadores: recien tomo conocimeinto de la Reunion de los Grupos Tematicos…y sinceramente me toma muy de sorpresa por que soy de las que a diario leo completa la pagina de Rio+20 y en ningun lugar de la misma tuvimos posibilidad de conocer …. que se haria esta Reunion en Rio, ni como se eligieron a quienes representaria a cada Grupo, etc.
Sinceramente nos deja un tanto sorprendidos por que este tipo de practicas son propios de las areas Institucionales de PNUMA y donde las elites reiteran viejas practicas de Grupos Cerrados donde las convocarias solo se hacen entre amigos….
Me gustaria conocer su opinion y saber si realmente hay algo nuevo por Esperar en la Cumbre de los Pueblos o es mas de lo mismo que ofrece la Conferencia de ONU, con distinto nombre y diferente lugar de reunion….
Un abrazo
susana t.
Asoacioan Ambientalista Mayu Sumaj
¿Por que en la Pagina de RIO+20 no salio la Convocatoria a esta Reunion …. y como se haria la eleccion de los participantes?
Gracias
susana t.
Participação
Celita Eccher e Nicole Bidegain (GT Educação), Chico Whitaker (GRAP), Moema Miranda (GRAP), Frei Francisco (GA), Osver Polo (GT Clima), Miguel Rementeria (GT Clima), Rafael Poço (GT Clima), Tony Clarck (GT Energia), Genevieve Azam (GT Finanças e Economia), François Soulard (GT Migrações), Ricardo Jimenez (GT Migrações), Jose Correa (GRAP), Gustavo Marin (GT Governança), Carlos Torres (GT Extrativismo e Mineração), Carlos Bittencourt (GT Extrativismo e Mineração), Marly Cuesta (GT Cultura), Jorge Balbis (GT Diplomacia e Desenvolvimento Não Governamental), Silke Helfrich (GT Commons), uleica Goulart (GT Cidades Sustentáveis), Olivia Abumanssur (GRAP), Marina Santos (GRAP), Sergio Haddad (GRAP), Moema Miranda (GRAP), Hamouda Soubhi (Fórum Social do Magreb), Mauri Cruz (GRAP), Anil Naidoo (GT Agua), Marcela Escribano (GA-CFSC), Silvia Ribeiro, Pablo Solon e Edgardo Lander.
Introdução
O Seminário dos Grupos Temáticos buscou compartilhar informações sobre os processos que envolvem a construção da Rio + 20 (oficial e Cúpula dos Povos); finalizar os trabalhos desenvolvidos desde o Fórum Social Temático reunidos no ante-projeto do documento “Outro futuro é possível”; discutir o papel desta contribuição para as articulações da sociedade civil na Cúpula dos Povos; e, por fim, debater o horizonte de atuação do grupo presente na reunião.
Informes sobre processo oficial da Rio + 20
Panorama geral
- A terceira rodada de negociações informais das Nações Unidas foi finalizada em Nova York no dia 04 de maio de 2012. O resultado foi a supressão do draft zero, texto que subsidiou o início das discussões, de aproximadamente 200 páginas para cerca de 20: todas as propostas em curso já estariam reunidas neste documento, que defende a economia verde e não incorpora propostas anti-sistêmicas. Seu conteúdo, frágil desde o início das negociações, tornou-se ainda mais débil, e é bastante improvável que a inserção de passagens alternativas ocorra antes da Rio + 20. – Destacou-se também que, ao decorrer do processo de negociação, diversos princípios e direitos anteriormente conquistados foram colocados em questão (ex.: Principio das Responsabilidades Comuns mas Diferenciadas, Princípio do Precaução, etc).
- Por um lado, a proposta é que o documento não afete a soberania dos estados e a criação de indicadores sobre economia verde não obriguem a adoção de novos compromissos (posição defendida essencialmente pelo G77 e BRICS). Por outro, a União Europeia está promovendo (no G77 via Colômbia e no âmbito das negociações para a Rio + 20) os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com metas de desenvolvimento sustentável /indicadores de sustentabilidade mandatórios no contexto da economia verde em pelo menos 10 setores.
De toda forma, avalia-se que a “economia verde” é apenas uma nova roupagem do “desenvolvimento sustentável”: ambas são formas de desregulamentação dos direitos e manutenção do capitalismo.
- Obama e Merkel não virão mas estão confirmados mais de 130 chefes de estado e este numero ainda tende a crescer.
- Há uma percepção geral, tanto nacional quanto internacional, de que falta informação sobre o processo oficial da Rio + 20 e da Cúpula dos Povos.
- Haverá mais duas rodadas de negociações informais antes da Rio + 20 em junho/2012.
ONU e G77
As negociações rumo à Rio + 20 ocorrem por meio da apresentação e/ou adoção de propostas por blocos de países.
De 137 países membros nas Nações Unidas há somente o G77, que congrega 131 países, capaz de influenciar o curso das negociações. Como o grupo funciona a partir de consenso, suas propostas têm sido essencialmente defensivas e orientadas no sentido de assegurar alguns direitos anteriormente conquistados, não avançando na elaboração de alternativas e avaliação dos últimos 20 anos. Quando há acordo no âmbito deste Fórum, é improvável que os EUA e União Europeia se oponham.
O G77 é essencialmente a favor da economia verde pois há uma avaliação de que poderiam se beneficiar dos mercado de serviços ambientais, por exemplo, no Brasil. Aqueles que se opõem – como Argentina, China e Índia –o fazem não porque são contra a mercantilização da natureza mas porque as exportações agrícolas, tendo que cumprir regras ambientais, seriam restringidas e suas políticas desenvolvimentistas nacionais prejudicadas. Na mesma linha encontra-se os EUA, que tem rejeitado acordos condicionantes e contribuído, assim, para a construção de um cenário no qual outros países também tendem a evitar a adoção de compromissos.
Uma das únicas propostas de fato alternativas no âmbito do G77 partiu da Bolívia, que propôs a introdução de uma salvaguarda – “economia verde não significa a interferência em assuntos internos/ soberania estatal mas tampouco deve impulsar a mercantilização dos processos e da natureza” – porém não houve acordo. Junto ao Equador, propuseram também uma passagem sobre os Direitos da Mãe Terra porém não houve apoio nacional e internacional necessário para torna-la endossável. Uma estratégia seria buscar suporte à proposta pelos países da ALBA, mas avalia-se que neste momento a introdução e incorporação de uma proposta alternativa no documento final é praticamente impossível e conclui-se que “embora não haja nos documentos passagens como ‘vamos mercantilizar os bens da natureza’ haverá espaço para isso acontecer pois a negativa não estará inclusa”.
PNUMA e governança ambiental
Uma vez que as propostas relacionadas à economia verde serão certamente aceitas, o tema mais controverso reside nas discussões sobre o marco institucional que resultaria das negociações na Rio + 20. Há, por um lado, a proposta de que o PNUMA – que possui forte parceria com o setor financeiro e empresarial – passe de um programa a uma Agência/Conselho de Desenvolvimento Sustentável (defendida essencialmente pelos países europeus, agora respaldados pela União Africana). Por outro há propostas de transformação do PNUMA em uma Comissão/Fórum de Desenvolvimento Sustentável que fortaleceria o ECOSOC. De toda forma, se as propostas relacionadas a economia verde entrarem em vigor, o PNUMA – responsável pela elaboração do “conceito” de economia verde –seria fortalecido pois ele foi o mentor intelectual da proposta.
Destacou-se a importância de acompanharmos e influenciarmos o processo pós Rio + 20, no qual ocorreria a validação da economia verde e seus mecanismos.
Major groups
Embora haja grupos ativos como dos trabalhadores (SustainLabour), de mulheres e uma coalizão que se formou nas ultimas sessões (Rights at Risks), os Major Groups (ou Fórum Stakeholder) – atores tradicionais do ECOSOC –tem pouca influência no processo oficial pois não introduzem texto na negociação (apenas discursam). Para que consigam propor a inserção de conteúdo para discussão, algum país tem que adotar a proposta e introduzi-la na rodada de negociação – e isso não tem ocorrido.
Avalia-se ser importante o diálogo desses grupos e de suas agendas com o GA da Cúpula dos Povos e o apoio internacional às suas iniciativas, principalmente à Rights at Risk (que se opõe a perda de direitos anteriormente conquistados e à cooptação privada das Nações Unidas).
Avaliação
Conclui-se que a negociação entrou numa etapa defensiva, que não há intenção de avançar em compromissos concretos e internacionais e que devemos nos manifestar contra a economia verde e à governança no âmbito do PNUMA.
Avalia-se que, como sociedade civil, devemos promover apoio lutas comuns, elaborar e publicizar nossas propostas alternativas e, sem ilusões, pressionar os governos nacionais para reincorporarem grande parte do texto retirado ao longo do processo de negociação.
Informes sobre processo Cúpula dos Povos na Rio + 20
A Cúpula dos Povos na Rio + 20 vem sendo construída por um Comitê Facilitador da Sociedade Civil (CFSC) e seu Grupo de Articulação (GA) e deverá o principal evento da sociedade civil paralelo ao processo oficial.
Desde o início da constituição deste grupo, a proposta era de que a Cúpula elaborasse posições e firmasse acordos, diferenciando-se do processo do Fórum Social Mundial em formato e finalidade.
Mas a conjuntura na qual os movimentos e as organizações estão inseridos e as dificuldades internas da gestão do GA conferem desafios importantes ao processo de construção da Cúpula e de um acordo comum, capaz de apresentar propostas alternativas concretas. Além disso, a internacionalização do GA enfrentou desafios relevantes tanto por fatores regionais e nacionais (visão desenvolvimentista dos governos da América Latina e sua influência nos movimentos sociais, predomínio de pauta nacional nas reuniões do grupo, disputas entre o espaço do GA e a influência do processo FSM) quanto pela conjuntura que os movimentos na Ásia, na Europa e na África também estão enfrentando. A dinâmica da Cúpula tem um claro foco latino-americano.
Destacou-se também a influência da metodologia da Cúpula (bem como a dificuldade de vários atores nacionais e internacionais trabalharem com o formato definido):
- Atividades autogestionadas, que deverão orientar seus trabalhos para as plenárias de convergência;
- Plenárias de convergência, que se reunirão em diferentes momentos em direção às grandes plenárias, orientadas em torno de cinco temas (direitos, energias extrativas, trabalho e economia/solidária, soberania alimentar e bens comuns) e três aspectos (causas estruturais, propostas e próximos passos);
- Três grandes plenárias (“coração” da cúpula), cujos objetivos serão a apresentação dos trabalhos das plenárias de convergência orientados pela denúncia das falsas soluções, as propostas da sociedade civil, organização de campanhas e agenda/horizonte de ação.
Além disso, foram identificados os seguintes desafios:
- Os temas ecológicos que serão discutidos na Rio+ 20 são considerados por muitos movimentos sociais tanto no Brasil quanto internacionalmente como secundários;
- Não há acordo no Brasil e em boa parte dos países da América Latina sobre a questão da economia verde e uma relevante dificuldade em linkar o ecológico ao social;
- Embora avalie-se ser importante a elaboração de uma declaração final da Cúpula dos Povos, que se oponha ao documento do processo oficial e evidencie as alternativas que buscamos, não está decidido no âmbito do GA se de fato teremos uma declaração final. (este ponto foi, na nossa avaliação, posteriormente modificado pela resolução adotada na reunião do GA nos dias imediatamente seguintes ao seminário)
Sobre o Grupo de Trabalho (GT) “processo oficial”: a Cúpula dos Povos não está limitada a confrontar a Conferência das Nações Unidas e foi acordado que era importante incidir sobre o processo oficial. Porém, não alcançamos estabelecer um processo capaz de cumprir essa missão, que compartilhasse informações e elaborasse posições unificadas capazes de serem colocadas em disputa. Por isso, o GA optou por não mais interagir articuladamente com o processo oficial ou estabelecer diálogos com o governo (há ainda uma discussão sobre a reunião do GA com Ban-Ki Moon).
Conclui-se que, embora a mobilização para a Cúpula tenha sido prejudicada por conta dos processos anteriormente descritos, reconhece-se o pioneirismo e a importância da iniciativa brasileira em tentar desenvolver um processo de acúmulo de discussão internacional e unificação de propostas que anteceda o evento[1].
Documento “Outro futuro é possível”
Após discussões na tarde do dia 09 e manhã do dia 10/05, acordou-se que:
- Desde os Grupos Temáticos formados no âmbito do Fórum Social Temático, iremos elaborar um documento que configure uma contribuição ao processo da Cúpula dos Povos, capaz de recolher os subsídios temáticos e colaborar para a construção de paradigmas alternativos, mas que também dialogue com o conteúdo do documento oficial e coloque-se contra a economia verde e seus mecanismos de implementação. Este documento deverá ser impresso (PT/ENG) e distribuído na Cúpula dos Povos como um subsídio inicial para o debate e deverá continuar a ser trabalhado após o término do evento;
- A construção do documento foi dividida em quatro momentos:
No Seminário:
· Elaboração de textos que dialogassem com os 5 eixos das Plenárias da Cúpula dos Povos a partir da divisão dos participantes em 4 GTs: introdução/conclusão e economia verde; commons, direitos e energia e extrativismo (tarde do dia 09 de maio);
· Apresentação e discussão coletiva de conteúdos elaborados (manhã do dia 10 de maio): incluir dimensão ética e política da economia verde; explicar conceitos, termos e temas de forma popular para que pessoas não familiarizadas entendam do que se trata; mencionar a importância de reconhecer os direitos da mãe terra; afirmar que somos contra o empoderamento do PNUMA; retirar menções à apropriação estatal e/ou privada do conhecimento; agregar a dimensão política dos commons; desenvolver e inserir propostas concretas que apontem a viabilidade da alternativa paradigmática que propomos; incluir a possibilidade da produção social de energia e não apenas estatal, etc.
Após o Seminário:
· Incorporação por cada GT das mudanças sugeridas após apresentação e discussão coletiva dos textos elaborados;
· Edição do documento “Outro futuro é possível”, agregando os textos elaborados no Seminário, suprimindo repetições e uniformizando a linguagem.
- A assinatura do documento deverá ser genérica, citando quantas pessoas e países participaram do processo.
- A publicação do texto encerra o trabalho do Fórum Social Temático. Embora possa contribuir para iniciativas futuras além da Cúpula (como a proposta apresentada no Seminário e detalhada a seguir), o fará de forma independente do processo FSM.
Discussão sobre horizonte de atuação
- A construção de paradigmas alternativos é um longo processo que necessita de tempo, reflexões teóricas e construção de consenso. A Rio + 20 e eventos que se inserem no âmbito dos Fóruns Sociais são momentos desta trajetória.
- Neste sentido, o GRAP propôs trabalharmos acerca de uma iniciativa que ultrapassaria a lógica dos processos do FSM e da Cúpula: seria um centro de reflexão socioambiental, internacional e de longo prazo cujos aportes seriam elaborados eletronicamente ao longo do ano e contariam com encontros presenciais nos meses de janeiro, em Porto Alegre/Brasil. O centro seria militante mas também de produção de conhecimento, buscaria articular instituições que já trabalham os temas e possuiria três dimensões:
· Análise do estado do mundo: situação social, política e ambiental;
· Mapeamentos das lutas e resistências desde o enfoque socioambiental;
· Sistematização das alternativas para a transição para outra civilização desde as lutas reais.
Mas além de reunirmos os que já trabalham os temas relevantes e os movimentos tradicionais, a iniciativa deverá reunir também os novos sujeitos/atores, jovens e uma multiplicidade de assuntos que, juntos, sejam capazes de superar a visão “euro-latinoamericanocêntrica”, incorporar referências da China, Índia, Ásia, África e construir referências estratégias com as ambições mais universais possíveis para superar o capitalismo. Uma vez que partimos de diferentes lutas e perspectivas particulares, diversas visões de alternativas irão emergir; devemos, então, buscar construir uma iniciativa que “sistematize um horizonte de mudança estrutural”, partindo de análises regionais, setoriais e temáticas que se auto-complementem.
Assim, a proposta é de constituir um centro de reflexão. Sugeriu-se realizarmos um primeiro encontro em janeiro de 2013 para discutirmos a metodologia do projeto. O GRAP formulará uma nota conceitual, que será apresentada durante a Rio+20 e posteriormente debatida eletronicamente.
Informe sobre FSM 2013
Apresentação – Hamouda Soubhi
- Mobilização: desde 2001 têm ocorrido diversos fóruns e encontros locais para planejamento do FSM 2013 (África e o Fórum do Magreb-Mashrek; Oriente Médio, etc).
- Desde o inicio de 2012 o Comitê Local têm buscado incorporar a forte participação dos diversos movimentos (juventude, mulheres, trabalhadores, mídias alternativas) que participaram e protagonizaram as revoluções árabes na dinâmica do FSM, de forma a desenvolver um processo de formação a respeito do Fórum, seus processos e sua forma de funcionamento.
- Desde então foram criadas oito comissões, dentre as quais se destacou a de comunicação e mobilização, metodologia, cultura, finanças e logística.
- A de mobilização, por exemplo, organizará uma caravana que passará por toda a Tunísia com o intuito de identificar prioridades temáticas com grupos e cidades locais a serem debatidas no FSM 2013.
- Já as comissões de metodologia e mobilização estão organizando a Assembleia preparatória do FSM de 2013 que ocorrerá em Túnis, em julho/2012. Esta reunião deverá internacionalizar o processo de preparação do FSM 2013, discutir sua proposta política e os mecanismos de governança do FSM (CI, Grupo de Enlace, etc). Buscará também incorporar os novos movimentos – indignad@s, Occupies, estudantes chilenos, africanos e juventude árabe – à dinâmica do FSM, além de promover as iniciativas da flotilha árabe, que sairá da Europa e chegará em Tunis para discutir a questão das migrações e os movimentos sociais árabes, que discutirão as mudanças trazidas pelas revoluções na região.
- Reconhecem a Cúpula dos Povos como um momento importante de uma agenda de mobilizaçãos de longo prazo e buscarão aproveitá-la para estreitar os laços entre sujeitos de diferentes regiões do globo cujas lutas são comuns (ex.: extrativismo e mineração, povos originários da América Latina e da África que lutam por terra, pela cultura, pelo bem viver) mas ainda não se conhecem.
- Estão trabalhando para assegurar o protagonismo dos jovens no processo: não creem em um “acampamento da juventude” mas sim em tê-los. como atores centrais dos programas e da agenda que nos propomos desenvolver
- As negociações com o governo da Tunísia foram positivas e sinalizam boas relações.
- Enfatizou os desafios encontrados no Egito (país com forte presença dos movimentos islâmicos e supressão das lutas e direitos) para construção do FSM, levando a escolha da Tunísia como sede do FSM 2013.
- Assim. o ensaio geral para o FSM de março de 2013 deverá ocorrer de 12 a 16 de julho de 2012, durante o Fórum Social do Magreb, em Monastir, na Tunísia.
Encaminhamentos
A finalização do conteúdo do documento “Outro futuro é possível” para impressão e distribuição da Cúpula dos Povos e encerramento do processo no âmbito do Fórum Social Temático, Crise Capitalista Justiça Social e Ambiental ficou delegada para uma reunião, posterior ao encontro internacional do GA, no domingo de manhã, com os que ainda estivessem no Rio de Janeiro. Nesta reunião definiu-se que Sergio Haddad e Zé Correa fechariam o documento, integrando as contribuições do seminário
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[1] Na reunião do GA realizada na sequencia do Seminário aqui relatado, acordou-se uma declaração comum e avalia-se que houve importantes avanços no sentido de fortalecer o fluxo de informação, a participação internacional e a unidade em torno de uma proposta política para a Cúpula. Para ver a declaração completa, acesse: http://cupuladospovos.org.br/2012/05/o-que-esta
Faço parte de um minusculo projeto social numa periferia do Rio de Janeiro. Acredito, e faço por onde aconteça a vida sustentável a partir da troca de saberes “como nossos avós” faziam e contam ( também cantaram)!
Ainda bem, podemos “controlar”, averiguar, de forma trasnparente e segura o que efetivmente acontece entre as linhas do que os MCS apresentam.
Totalmente ligda com a cupula dos povos, especialmente em sintonia com os povos mais explorados. abraço enorme, mesmo nao podendo participar diretamente, mas acompanho passo a passo.